Carlos Amodeo escreve artigo sobre governança e integridade na gestão da SAF

Governança e integridade como alicerces de gestão

Carlos Humberto Amodeo Neto

CEO VASCO DA GAMA

No futebol, o problema raramente é estratégia. Os maiores riscos normalmente não estão dentro de campo. Eles se concentram na forma como as decisões são tomadas fora dele. E o nome disto é governança.

A adoção do modelo de Sociedade Anônima do Futebol trouxe a expectativa de uma gestão mais profissional, eficiente e sustentável. Mas há um ponto que precisa ser dito com clareza: estrutura, por si só, não resolve.

O que determina o sucesso, ou o fracasso, de um projeto é a qualidade da governança que o sustenta. Governança não é retórica. É prática.

É a definição clara de papéis, responsabilidades e limites. É o que estabelece quem decide, como decide e sob quais critérios. Quando funciona, cria previsibilidade, protege a instituição e viabiliza estratégia de longo prazo.

Quando não funciona, o efeito é imediato. A sobreposição de papéis, a ausência de accountability e, principalmente, as interferências externas na gestão executiva geram um ambiente de instabilidade. Decisões passam a ser influenciadas por agentes sem responsabilidade formal, muitas vezes sem o devido lastro técnico.

O resultado é conhecido: desalinhamento, perda de eficiência, aumento de risco e, acima de tudo, perda de confiança. E confiança, no futebol moderno, é ativo estratégico.

É nesse ponto que a integridade deixa de ser um valor abstrato e passa a ser um elemento estruturante.

Integridade é coerência entre discurso e prática. É garantir que decisões relevantes estejam ancoradas em processos claros, critérios objetivos e princípios éticos. É assegurar rastreabilidade, responsabilidade e consistência ao longo do tempo.

Mas isso não se constrói apenas com intenção ou com discurso forte. Exige ferramentas sólidas de compliance, tais como, políticas bem definidas, controles internos efetivos, auditorias independentes, canais de denúncia estruturados, entre outros.

E, sobretudo, uma cultura organizacional que valorize a conformidade como proteção e não como obstáculo, porque compliance não é burocracia. É proteção institucional.

Protege o clube, reduz sua exposição a riscos e fortalece sua credibilidade. Protege executivos, que passam a atuar em um ambiente mais seguro. E fortalece o próprio ecossistema do futebol, tornando-o mais confiável para investidores, patrocinadores e a sociedade.

Em um ambiente historicamente marcado por influência política e estruturas frágeis, a disciplina institucional deixa de ser diferencial e passa a ser condição.

Isso exige maturidade. Requer compreender que governança não é sobre concentrar poder, mas sobre organizá-lo. E que respeitar limites institucionais não enfraquece a gestão, mas, ao contrário, a qualifica.

No futebol, onde a pressão por resultado é permanente, é comum a tentação de flexibilizar processos em nome da urgência ou de interesses difusos. É justamente nesses momentos que a governança e a integridade provam seu valor. Elas não existem para travar decisões. Existem para garantir que elas sejam melhores e que estejam alinhadas, exclusivamente, com os interesses e objetivos da instituição.

A consolidação de um modelo sustentável para a gestão no futebol brasileiro passa, inevitavelmente, por esse amadurecimento. Não haverá transformação consistente sem governança efetiva. Não haverá credibilidade sem integridade. E não haverá continuidade sem disciplina.

Onde a governança é frágil, o resultado é circunstancial. Onde ela é sólida, o resultado se torna consequência natural.

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Fonte: Linkedin Carlos Humberto Amodeo Neto

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