Do Vasco à realeza. Antes de alcançar a majestade, Marta viveu seus primeiros passos no futebol nos corredores de São Januário. E, aos 40 anos, a Rainha foi merecidamente celebrada em peso pela Arena Castelão, nesta terça-feira, ao entrar em campo no amistoso entre Brasil e Estados Unidos. Uma história de amor com a seleção brasileira que começou justamente no Vasco. Motivo de orgulho para a instituição e de inspiração para quem, hoje, busca reerguer o futebol feminino no clube.
Alguns dos primeiros passos até se tornar “Rainha do Futebol” são ostentados com orgulho no Museu Vasco da Gama. O acervo do clube recebeu registros do início da trajetória da Marta, que chegou a São Januário com apenas 14 anos, em 2000. Foram 2.090 quilômetros e três dias de viagem de ônibus entre Dois Riachos, em Alagoas, até o Rio de Janeiro para fazer os primeiros testes no Vasco.
O Museu conta com fotos da Marta ainda nos tempos de futsal com a camisa do Vasco. São registros da Copa da Amizade, torneio internacional de futsal feminino, realizada em agosto de 2000.
No Vasco, Marta logo conheceu Helena Pacheco, que seria sua treinadora e grande mentora no início da carreira. A técnica a descrevia como “faminta” pela bola. Dedicada, concentrava-se na bola e pouco olhava nos olhos dos outros. Até mesmo na hora das refeições no Vasco ela queria mais. Quando Helena dizia que a adolescente precisava aprender a chutar com as duas pernas, Marta ia treinar, treinar e treinar até alcançar a excelência.
O Museu Vasco da Gama também conta com uma súmula especial do empate do Vasco por 2 a 2 com o Barra, pelo Campeonato Carioca de 2001, como um registro de Marta no time principal da equipe de São Januário. Ela era a camisa 10 da partida que ocorreu no dia 6 de outubro de 2001. Naquele ano, Marta também seria campeã do Campeonato Brasileiro Sub-19.
No ano seguinte, ela seria convocada pela primeira vez para a seleção brasileira como representante do Vasco. No Mundial Sub-19 de 2002 (o torneio se tornaria Sub-20 apenas em 2006), no Canadá, a jogadora foi convocada com apenas 16 anos. Ela foi a artilheira do Brasil (seis gols) e recebeu a Bola de Prata como segunda melhor jogadora da competição. O Brasil terminou em quarto lugar.
O período no Rio durou até 2003, quando o time feminino profissional do Vasco foi encerrado. Helena Pacheco, porém, buscou novas equipes para a talentosa jovem e conseguiu uma chance no Santa Cruz, de Minas Gerais. Foi com a camisa do clube mineiro que ela jogou sua primeira Copa do Mundo feminina, ainda em 2003, quando marcou três gols em quatro jogos.
Inspiração para retomada do futebol feminino
Marta tornaria-se seis vezes melhor jogadora do mundo depois de se despedir do Rio de Janeiro. A gratidão, porém, segue intacta depois de mais de 20 anos desde sua saída do Vasco. Ela, inclusive, participou de uma campanha para entregar um material às jogadoras do Vasco para contar a potência da história vascaína no futebol feminino. O clube, agora, busca a reconsolidação da força de outrora na modalidade.
O “kit de boas-vindas” é um material contendo itens do clube e um panfleto informativo com a história do Vasco no futebol feminino. Toda jogadora que for contratada vai receber esse kit, além de ter uma conversa em tom mais informativo para saber mais sobre a história da instituição. (Conheça mais no vídeo abaixo)
A história começa com as “Pioneiras Vascaínas” e é contada no kit. Inspirado nos Camisas Negras, um grupo de sócias e torcedoras vascaínas se uniu para formar um time feminino, que recebeu o nome de Sport Club Feminino Vasco da Gama, em 1923. Trata-se da primeira experiência do futebol feminino no Vasco.
Logo antes de Marta, o clube vivera seu auge na década de 1990, com o tetracampeonato brasileiro: 1993, 1994, 1995 e 1998. O Vasco revelara nomes como Pretinha, considerada a maior jogadora da história do clube, além de Fanta, Cenira, Meg e outras.
Com mais de 15 páginas, o panfleto tem como destaque um recado de Marta, que conta brevemente seu início no Vasco. Ao ler um QR Code, a jogadora terá acesso a um vídeo da Rainha do Futebol. Angelina, uma das capitãs da Seleção e cria de São Januário; e Helena Pacheco, treinadora mais vitoriosa da história do clube, também participaram da ação.
Hoje, o futebol feminino do Vasco visa à retomada e realiza um trabalho de consolidação. A equipe é atual líder isolada do Brasileiro A2, com uma campanha irretocável até aqui. São 12 jogos, com 11 vitórias e um empate, além de 43 gols marcados e apenas oito sofridos.
Fonte: ge



