O Vasco venceu o Botafogo por 2 a 1 em clássico disputado nesta quarta-feira no Nilton Santos e confirmou a campanha de recuperação no Campeonato Brasileiro. A equipe de Pedro Emanuel engatou a terceira vitória consecutiva no torneio e ganhou fôlego na luta contra o rebaixamento.
O treinador aproveitou a oportunidade para comentar sobre o imbróglio envolvendo o palco da partida da semifinal contra o Boca Juniors. Com a briga judicial pelo Maracanã e a dificuldade para viabilizar São Januário, o Nilton Santos ainda é uma possibilidade para a realização do duelo. Pedro Emanuel, no entanto, citou o sintético como um “problema” e fez um apelo para que a partida seja no estádio do Vasco.
— Vou responder não como um treinador, mas como um apaixonado por futebol. Habituei-me a ver grandes clássicos sul-americanos em grandes estádios. E, com todo respeito que tenho pelo Nilton Santos, para mim jogar no gramado sintético já é um problema. Era enquanto jogador e agora, na preparação para esse jogo, foi também, porque acho que não deveria ser jogado em gramados sintéticos.
— Acho que o Maracanã, por ter a grandiosidade que tem, e São Januário, por ser nossa casa, acho que se encaixam perfeitamente. E acho que isto é muito mais que uma disputa judicial. Tem a ver com o que é a grandeza do futebol, e as entidades competentes podem resolver isso facilmente. Acho que ser um Vasco x Boca no Rio de Janeiro sem ser no Maracanã ou São Januário não é a mesma coisa. Apelo para que isso possa acontecer, porque Vasco x Boca deve ser em um grande recinto.
“Naturalmente, gostaria que fosse em São Januário, se não for no Maracanã, que é um estádio emblemático da América do Sul”, afirmou Pedro Emanuel
Após mais um resultado positivo, o treinador exaltou o coletivo do Vasco para manter o bom rendimento e foco, mesmo após uma longa paralisação para Data Fifa.
— Depois de uma paralisação de mais de 18 dias, o mais importante era retornarmos ligados, mantermos a mesma intensidade, o mesmo foco, o mesmo respeito pelo adversário, e isso foi o único do jogo: um jogo equilibrado. Sabemos que o Botafogo, dentro de casa, no sintético, tem muita força, Tentamos controlar o jogo com bola, o Botafogo, na primeira parte, a tentar sair, mas fomos competentes. Só não conseguimos evitar aquele fantástico gol do Alex Telles — explicou o treinador, que completou:
— Sinto que a equipe tem confiança naquilo que faz, no que trabalhamos, na ideia de jogo. Todos intervêm, todos fazem parte daquilo que é o nosso processo de jogo: os que começam de início, os que vão entrar, os que provavelmente no sábado vão repetir, outros que talvez não, mas olhamos como um todo, não só como individualidade. Tivemos várias oportunidades de fazer isso, uma delas foi anulada pelo semiautomático, a outra foi na trave do Sosa, outra no poste do Cuiabano, outra em cima da linha, na defesa do Robert, e acho que esse terceiro gol se surgisse acabaria, de fato, com as expectativas do Botafogo e nos daria maior conforto.
Pedro Emanuel também comentou sobre a situação clínica de Bruno Duarte, que causou preocupação ao sofrer uma pancada na costela, durante uma dividida, e perder os sentidos por alguns instantes ainda no primeiro tempo. O jogador foi substituído por David e fará exames complementares nesta quinta-feira.
— Sentimos a necessidade com a equipe médica de não correr nenhum risco. Houve um momento em que apagou, e era importante salvaguadarmos o bem-estar do atleta. Foi o que fizemos. Vamos reavaliarmos amanhã. Vai fazer um exame. Foi um choque com o adversário e, por isso mesmo, só um exame pode dizer o que vem aí — disse Pedro Emanuel.
O time de Pedro Emanuel abriu vantagem com gols de Lescano e David, viu o adversário diminuir com Alex Telles. O jogo válido pela 29ª rodada era considerado um confronto direto e aproxima os rivais na tabela. Agora, o Vasco sobe para 34 pontos, em 14ª lugar, com apenas um ponto a menos do que o Botafogo, atual 13º .
Veja outros pontos da coletiva
Atuação de Colidio e entrosamento com Lescano e Thiago Mendes
— Parece que já jogam (Colidio e Lescano) juntos com o Thiago (Mendes) há bastante tempo. Até porque a sua associação em combinação é muito produtiva para a equipe. Acho que é isso que nos dá também o conforto quando temos a bola, temos bons jogadores. Conseguimos também com as alterações que fizemos na segunda parte continuar a manter a posse de bola. Tem muito a ver com as características dos jogadores, nos dão a equipa muito desse desse tipo de jogo que nós precisamos sem nunca esquecer a baliza, sem nunca esquecer a agressividade, sem esquecer o foco do gol. Por isso é que fizemos 17 arremates , tivemos 14 escanteios. Isso é muito importante.
Sobre atuação de Marino Hinestroza
— Eu tenho dito sempre que sinto que os jogadores têm se adaptado bem ao estilo de jogo. Cada um, com suas características, têm ajudado a equipe. Hoje, com o Marino, acho que ele tem entrado depois de um início desastroso da parte dele, o que era natural. Vinha de um momento menos bom e recuperou a vontade de trabalhar. Mereceu a oportunidade. Felizmente, para nós, foi comprometido. Claro que quero mais do Marino, acho que pode fazer mais. Acima de tudo, teve compromisso grande com a equipe. De forma geral, pelo que eu pedi e o jogo exigiu, teve um comportamento mais do que satisfatório. Está a se integrar cada vez melhor. Foi substituto do Andrés e sabe que pode ser escalado de novo a qualquer momento.
Confiança do torcedor
— Falo aquilo que sinto. Me sinto um adepto (torcedor). Mais do que o treinador, sou alguém que toca todas as partes, porque já fui jogador e, hoje, sou aficionado pela nossa equipe. Se não tivesse um grupo de homens, como eu tenho, dificilmente poderíamos elevar o nível. Temos jogadores com coragem, qualidade e, acima de tudo, ambição grande. Como treinador, tento ajudar os jogadores. Acho que o torcedor olha para a nossa equipe e sente orgulho. Isso é o fator que faz muita diferença no momento em que o árbitro apita o início de jogo. Sabemos que temos algo para oferecer. Fazemos isso em todos os jogos, e hoje não foi diferente. Hoje eu estava inseguro, pelos 18 jogos sem a adrenalina nas partidas, mas no aquecimento eu já senti a energia de que teríamos um bom desempenho. O torcedor sente que damos o nosso máximo.
Jogo contra o Remo
— Todos nós reconhecemos que, com o campeonato tão competitivo, se vacilarmos vamos voltar para uma zona que não queremos estar. Queremos estar bem longe. Olhamos para cima, mas temos noção de que a água continua a subir. Se não fizermos a nossa parte, que é respeitar o Remo… Só assim vamos continuar a conquistar. É um motivo de orgulho termos conseguido quatro vitórias nos últimos cinco jogos. Só assim podemos continuar. Se não ganharmos do Remo, a vitória de hoje servirá pouco. Precisamos desse oxigênio para subir para onde merecemos estar
Momento de Nuno Moreira
— Não precisa ir tão atrás. Você citou o Saldivia. Há um mês, o Cuesta era o titular indiscutível. Nesse momento, para reconquistar o lugar dele, vai ter que lutar. Porque agora também temos o Gabriel. O melhor vai jogar. O Nuno está enquadrado nesse contexto. Teve um momento menos bom, mas teve a capacidade de voltar a estar dentro das opções. Hoje, entrou com vontade para ajudar a equipe, com determinação. Ele tem as características dele, já foi bem e mal esse ano. A oportunidade vai chegar, e ele precisa estar preparado. Isso vale para todos eles. Nesse elenco de agora, como vocês gostam de dizer, o caldo engrossou. Fico feliz com essa dificuldade para a vida do treinador.
Robert Renan é Seleção?
O Brasil tem muitos jogadores espalhados pelo mundo, mas há outros muito bons no nosso campeonato. Esse deve ser um objetivo do Robert. Para chegar à Seleção, uma coisa faz muita diferença: chegar ao grande nível e não oscilar. Ele é jovem e tem potencial para crescer. Essa consistência dará para ele a oportunidade de olhar para a Seleção como um objetivo de longo prazo. Ele deve ter vontade de melhorar, manter o nível. A nossa equipe precisa disso. Ele tem uma particularidade, que é ser canhoto. Dá uma vantagem no futebol atual. Ele pode fazer melhor. Eu tenho que ser a pessoa a não deixar ele baixar o nível. Se surgir a oportunidade, ficamos felizes. É um bom profissional e um bom rapaz.
Saldivia e opções do elenco
— Temos um elenco alargado e, se tem algo que me dá prazer como treinador, é a competitividade entre os jogadores. Para se entrar na equipe, tem que ser melhor do que como ela está. Não há dúvidas que, nesse momento, e até este jogo, por aquilo que ele apresentou hoje, ele teve a possibilidade de sair, mas teve a coragem de ficar conosco e, para mim, isso é muito importante. Quis mostrar que tinha capacidade de ser importante na nossa equipe e hoje ele voltou a ser. Estou a realçar o Saldivia porque é um exemplo do que queremos no Vasco. O fácil é desistir, o fácil é ir embora. Temos o jogo sábado, e depois vai começar o ciclo infernal e temos a noção que todos vão ser importantes e o mais importante de tudo é que todos tem que estar preparados para darem a resposta.
Fonte: ge



