Balanço financeiro da SAF aponta dívida superior a R$ 1 bilhão e aumento de receita

O Vasco publicou o balanço financeiro referente ao ano de 2025 nesta quinta-feira, após a vitória por 3 a 0 sobre o Olimpia, pela Copa Sul-Americana. O clube divulgou as demonstrações no último dia do prazo da Lei Geral do Esporte, que determina que todas os clubes devem apresentar os resultados até o dia 30 de abril.

O balanço de 2025 é o primeiro que diz respeito a um ano inteiro de gestão da direção de Pedrinho. Houve uma pequena queda da dívida, motivada pela homologação da recuperação judicial e por um aumento significativo de receita do clube, com a campanha na Copa do Brasil e a venda de atletas.

O documento aponta um crescimento de 18,7% da receita total em relação ao ano anterior, com um total R$ 628 milhões arrecadados, entre receita operacional e transação de atletas.

Ao contrário de 2024, as demonstrações de resultado abrangente apontam para um lucro de R$ 81,2 milhões no período entre 31 de dezembro de 2024 e 31 de dezembro de 2025. No ano anterior, o clube registrou prejuízo de R$ 114,7 milhões.

Impacto da Recuperação Judicial

O parecer do Conselho Fiscal da SAF aponta o impacto positivo da Recuperação Judicial, aprovado em outubro de 2025, para a melhora no quadro contábel do clube. O texto indica que o clube teria prejuízo de cerca de R$ 232 milhões, se não houvesse a RJ. É a primeira vez que o Vasco tem lucro desde a implementação da SAF.

“No que se refere aos efeitos contábeis, verifica-se que o PRJ exerceu impacto material sobre o resultado do exercício de 2025. Na ausência desses efeitos, o resultado do período apresentaria prejuízo da ordem de R$ 232 milhões, em contraste com o lucro de R$ 81 milhões reportado”.

Balanço financeiro dos anos de SAF

2022 – prejuízo de R$ 88 milhões

2023 – prejuízo de R$ 123 milhões

2024 – prejuízo de R$ 114 milhões

2025 – lucro de R$ 81 milhões

Dívida de quase R$ 1,1 bilhão

O Vasco encerrou 2025 com passivo total de R$ 1,09 bilhão. Desse valor, R$ 384,5 milhões estão no curto prazo e R$ 711,8 milhões no longo prazo. Parte das obrigações foi incluída no processo de recuperação judicial. As dívidas sujeitas ao plano somam R$ 457,9 milhões, sendo R$ 11,1 milhões no passivo circulante (curto prazo, dívida a ser paga em até 12 meses) e R$ 446,7 milhões no não circulante (dívida a ser paga em prazo superior a 12 meses)

O clube apresenta também o detalhamento do passivo, entre dívidas com fornecedores, obrigações trabalhistas, empréstimos e mais. Confira na imagem:

Com a aplicação de deságios e do ajuste a valor presente, o montante líquido dessas obrigações é de aproximadamente R$ 219,5 milhões no balanço. Ao fim do exercício, o clube apresenta patrimônio líquido negativo de R$ 647,5 milhões.

Em trecho, a diretoria escreve uma carta aberta sobre os resultados:

“Os avanços observados ao longo de 2025 indicam, com clareza, uma trajetória de reconstrução responsável e estruturada. Além de resultados pontuais, o que se consolida é a criação de fundamentos sólidos que permitem ao Vasco projetar um futuro mais estável e competitivo, de maneira consistente a longo prazo”, escreveu a direção do Vasco

No ano passado, no dia 30 de abril, o Vasco publicou um balanço de quatro páginas, não auditado, que apontava uma dívida da SAF no valor de R$ 1,18 bilhão. O clube também destacava no documento um crescimento na receita operacional bruta, que pulou de R$ 238,6 milhões em 2023 para R$ 299,9 milhões no ano passado. No início de julho de 2025, o Vasco publicou o balanço completo de 2024.

O valor, somado ao faturamento obtido por meio de transação de atletas (R$ 173,9 milhões) representava, de acordo com o clube, a maior receita anual da história do Vasco: R$ 473,8 milhões.

Ressalva no relatório do auditor

O documento também aponta uma ressalva do auditor sobre parte das demonstrações contábeis. Ele afirma que não houve tempo hábil para conclusão integral de alguns pontos específicos do demonstrativo apresentado pelo Vasco, explicado no texto abaixo:

“Conforme demonstrado abaixo, embora tenhamos recebido os documentos para fins de avaliação, não foi possível, até a data de emissão deste relatório, concluir os procedimentos de auditoria necessários para a adequada mensuração, reconhecimento e apresentação de determinadas rubricas das demonstrações contábeis relativas ao exercício findo em 31 de dezembro de 2025, em razão da insuficiência de tempo hábil para a conclusão integral dos procedimentos de auditoria aplicáveis:

Estoques no valor de R$ 3.837 mil, Adiantamento de terceiros no valor de R$ 5.665 mil, Despesas antecipadas R$ 5.948 mil, depósitos judiciais R$ 25.631 mil, créditos tributários R$ 30.251 mil, fornecedores R$ 130.396 mil, obrigações trabalhistas e sociais R$ 30.429 mil, Imagens e transações de atletas a pagar R$ 117.861 mil, acordos cíveis e trabalhistas R$ 13.483 mil, Salários, encargos e benefícios a funcionários R$ 208.222 mil e Direito de imagem R$ 82.988 mil (custo) Salários, encargos e benefícios a funcionários R$ 24.267 mil (despesas administrativas).”

Fonte: ge

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